domingo, 8 de março de 2015

Memórias de Um Sargento de Milícias - Manuel Antônio de Almeida

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Informações básicas:

número de páginas: 204
autor: Manuel Antônio de Almeida
Editora: Várias, mas a minha é Martin Claret



sinopse: Memória de um sargento de milícias conta a história de Leonardo, "filho de piscadelas e beliscões", que, ao ser rejeitado pelos pais, é acolhido pelo padrinho. Este, cego de afeto pelo menino, mima-o e fecha os olhos para as sua travessuras, Assim, o garoto endiabrado logo se torna um rapaz preguiçoso e afeito aos amores fácies.
Trata-se de um divertido retrato do Rio de Janeiro do tempo "del-rei", em que são apresentados o cotidiano e os costumes de figuras típicas das classes populares cariocas.
Obra mais importante de Manuel Antônio de Almeida, Memórias de um sargento de milícias representa uma transição da estética romântica para o Realismo, cuja originalidade vai além de qualquer limitação de estilo.

Resenha:Eu li esse livro pois irei fazer prova para a FUVEST, e é um dos livros obrigatórios...

 Em um primeiro momento fiquei com preguiça de lê-lo e o pobre coitado quase mofou em minha estante. Porém, agora que estou no terceiro ano foi impossível fugir da responsabilidade e tenho que admitir que AMEI o livro do começo ao fim. Farei uma pequena resenha pois acredito que me fará fixar os pontos importantes dele na cabeça, e não me preocuparei se estarei dando SPOILER ou não.
Primeiro algumas informações importante que farão o entendimento do livro mais fácil. Ele é, como a sinopse já comentou, um livro de transição entre o Romantismo e o Realismo, mas o que são essas duas tenências?

  • Romantismo: O romantismo teve como características principais, o nacionalismo, a idealização da mulher - Ela é linda, inteligente, inalcançável. - e por isso amor proibido, o protagonista masculino como herói, - Ele é bravo, guerreiro, corajoso, tem nobres ideais e um coração invejável. - um sentimentalismo exagerado, sofrimento, e no fim, um final ou muito feliz ou muito trágico, idealização do amor - É o único capaz de purificar a alma e supera todas as barreiras - e o cenário principal é a alta corte brasileira no caso dos romances urbanos.        
  • Realismo: Como o próprio nome já diz, é um romance real. Mostra as características negativas da sociedade, o adultério, não há nenhuma forma de idealização, o herói romântico foi eliminado e os personagens são pessoas reais, com defeitos e qualidades.

O foco narrativo é em terceira pessoa e o narrador é onisciente intruso, o que coube maravilhosamente bem no contexto. É difícil achar um autor que consegue fazer um narrador intruso tão bom, na verdade até hoje só encontrei Machado de Assis com essa capacidade e agora Manuel Antônio de Almeida. Outro ponto importante é que é uma linguagem muito informal por se tratar de uma classe média baixa. Um exemplo foi o batizado de Leonardinho em que o pai queria uma festa pomposa, porém nenhum dos convidados sabia como fazê-la funcionar. Esse é um dos pontos que mostra a influência realista na obra, já que o romantismo era retratado na nobreza.


Agora vamos a história em si. Ela começa contando do primeiro encontro entre Maria da Hortaliça e Leonardo Pataca em um navio de Portugal para o Brasil. Nesse encontro, em meio a piscadelas e beliscões, surgiu Leonardinho. Desde o começo o menino mostrava que não era uma criança qualquer, aprontava muito, mas sua mãe muito rígida controlava um pouco o menino. 
Contudo, depois que Leonardo Pataca descobriu que Maria da Hortaliça estava traindo a ele, os dois se separaram e o menino ficou com seu padrinho, um barbeiro que o amava muito e por isso não impunha limites ao garoto. Conforme Leonardinho crescia, ia se tornando cada vez mais difícil, preguiçoso e nem mesmo a escola conseguiu remediá-lo. 

Foi em meio a todas as confusões que o garoto aprontava que conheceu Luizinha, seu primeiro amor. Luizinha não era idealizada, (mais um traço realista) na verdade o garoto a descreveu como "alta, magra, pálida: andava com o queixo enterrado no peito, trazia a pálpebras sempre baixas e olhava a furto; tinha os braços fino e compridos; o cabelo, cortado, dava-lhe apenas até o pescoço, e como andava mal penteada e trazia a cabeça sempre baixa, uma grande porção lhe caía sobre a testa e olhos como uma viseira".


Só que como nem tudo são flores, o padrinho de Leonardinho morreu e o garoto foi obrigado e viver com o pai e sua nova esposa que o odiava. Não aguentando ficar naquela casa por mais tempo, fugiu e se refugiou na casa de uma antigo amigo, onde conheceu Vidinha, menina linda que fazia seu coração disparar. Contudo Vidinha já tinha dois primos que a queriam e eles não ficaram contentes com a concorrência. Logo o Leonardinho foi preso por vadiagem pelo Major Vidigal (uma figura bastante assustadora e que todos temiam) e varias reviravoltas ocorreram e o menino que já tinha virado homem acabou se dando bem na vida, graças ao jeitinho brasileiro.

Uma leitura muito interessante e divertida, o Leonardinho passou com certeza a ser um dos meus anti-heróis favoritos. Apesar de faltas gravíssimas em seu caráter, ele era só uma pessoa normal, com defeitos e qualidades e ao longo da narrativa, mostrou ser até um pouquinho corajoso.

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